Por que estudar ou pelo menos conhecer sobre Umbanda? Somos umbandistas? Trabalhamos com a Umbanda?

Não, não somos umbandistas, mas temos o dever de tudo conhecer e sim, na Apometria trabalhamos com a Umbanda. Portanto, precisamos conhecer a ferramenta que utilizamos em nosso trabalho.

 

Como bem disse Kardec:

“Para bem conhecer uma coisa é preciso ver, se aprofundar [...]”  (Kardec, Revista Espírita, 1860).

 

Por esse motivo, abrimos aqui mais um espaço para o nosso conhecimento, claro, sem a pretensão de trazer uma questão de aprofundamento, mas trazendo só o básico, para que nos sintamos seguros, na nossa forma de trabalhar de maneira correta e sem preconceitos. Sem esquecer que o conteúdo aqui colocado, são enxertos de várias fontes.

 

Vamos começar então, do começo, com um pouquinho de história.

O que é Umbanda?

A Umbanda é uma religião fundada há mais de 100 anos, no estado do Rio de Janeiro.É uma religião sincrética que absorveu conceitos, posturas e preceitos cristãos, indígenas e africanos, sendo bem visíveis na prática da religião.

O marco inicial da Umbanda é a manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas no médium Zélio Fernandino de Morais, em 1908, diferenciando-a do Espiritismo e dos Cultos de Nação e do Candomblé.

Zélio de Moraes era um jovem como qualquer outro de sua época. Nos idos de 1908 acompanhava com satisfação e interesse as notícias a respeito de outros rapazes que ingressariam na Escola Naval. Era seu sonho trabalhar na Marinha, principalmente após concluir o curso preparatório e já contar 17 anos. Contudo, alguma coisa parecia querer modificar seus planos. Algo estranho ocorria em seu interior; vozes pareciam repercutir em sua mente. Ele temia estar ficando louco. Como compartilhar esse fato com seus pais? Mesmo assim resolveu que iria ingressar na escola da Marinha. Não poderia voltar atrás com seu sonho. Zélio de Moraes era um jovem sonhador.

Mas algo marcava profundamente o psiquismo do rapaz. Era “uma espécie de ataque”, como classificava a família. Ele falava coisas incompreensíveis e parecia ficar todo torto, encurvado mesmo.

Não havia mais como disfarçar a situação, pois os ataques se repetiam com maior frequência.

Zélio de Moraes foi então encaminhado a um padre da família. Exorcismos e benzeções foram feitos, mas nada do ‘demônio’ sair.

Durante uma das sessões com o padre, Zélio estremeceu todo, encurvou-se e deu uma risada gostosa:

— Ih, seu padre, nóis já se conhece de outros tempo, né, Zifio?

— Conhece de onde? Eu não tenho parte com o demônio não!

— Hi, hi! Não é o diabo não seu padre; é ieu mermo. Um véio bem maroto.

O padre benzeu a si próprio e deixou Zélio dentro da igreja, abandonando-o sem nada compreender.

Um dia, uma vizinha que era chegada à família sugeriu algo inusitado:

— Sabe de uma coisa, minha gente, pra mim esse negócio do Zélio não é coisa de demônio, nada. Isso cheira a Espiritismo! E espírito mesmo, e dos fortes.

— Espiritismo? E você por acaso conhece disso?

— Claro que sim! Ou você não sabe que eu sou entendida em muitas coisas da vida? Sei que lá, em Niterói, tem um tal de seu José de Souza, que é presidente de um centro muito forte. É um tal de Kardecismo.

Um dia, quando Zélio estava no meio de um de seus “ataques”, a família já completamente apavorada resolve procurar o centro espírita, como último recurso. Era a Federação Kardecista de Niterói.

Ali chegaram com o rapaz no dia 15 de novembro de 1908, e quem os recebeu foi exatamente o presidente, o Sr. José de Souza. Ali mesmo, na Federação, Zélio de Moraes agitou-se todo, e, como nas demais vezes, deu-se o chamado “ataque” que os familiares tanto temiam.

O presidente, através da vidência, logo percebeu que se tratava do fenômeno da incorporação.

E que um ou mais Espíritos se revezavam falando através do jovem rapaz. Eram incorporações involuntárias, já que o médium não tinha controle consciente sobre o fenômeno.

— Quem é você que fala através deste médium? O que deseja?

— Eu? Eu sou apenas um caboclo brasileiro. Vim para inaugurar algo novo e falar às pessoas simples de coração.

— Você se identifica como um Caboclo, talvez um índio, mas eu vejo em você restos de vestes de um sacerdote católico. Não estará disfarçando sua aparência? Vejo-lhe o corpo espiritual.

— Sei que pode me ver. Mas asseguro-lhe que o que você percebe em mim são os sinais de uma outra existência, anterior a esta na qual adquiri a aparência indígena. Fui um sacerdote jesuíta e, na ocasião, meu nome era Gabriel Malagrida. Fui acusado de bruxaria pela Igreja, sacrificado na fogueira da Inquisição por haver previsto o terremoto que destruiu Lisboa em 1755. Mas, em minha última existência física, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como um Caboclo nas terras brasileiras.

— E podemos saber seu nome?

— Para que nomes? Vocês ainda têm necessidade disso? Não basta a minha mensagem? Se é preciso que eu tenha um nome, digam que sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, pois para mim não existem caminhos fechados. Venho trazer a Umbanda, uma religião que harmonizará as famílias, unirá os corações, falará aos simples e que há de perdurar até o final dos séculos.

— Mas que religião nova é esta e por que fazer o médium sofrer assim?

— A nova religião virá, e não tardará o tempo em que ela falará aos corações mais simples e numa linguagem despida de preconceito. Entre o povo do morro, das favelas, das ruas e dos guetos, será entoada uma cantiga nova. O povo receberá de seus ancestrais o ensinamento espiritual em forma de parábolas simples, diretamente da boca de Pais-Velhos e Caboclos.

Quanto ao que você chama de sofrimento do médium, é apenas uma fase de amadurecimento de sua mediunidade. Vocês é que interpretam como sofrimento. Para nós, é apenas uma forma de adaptarmos o aparelho mediúnico ao trabalho que espera por ele. Depois, todo esse incômodo cessará. O que tiver de vir, virá.

— Mas se já existem tantas religiões no mundo e também temos o Espiritismo, você acha que mais uma religião contribuirá para alguma coisa positiva? Por que essa forma fluídica de Caboclo ou, como você diz, de Pai-velho? Isso é necessário?

— Deus, em sua infinita bondade, estabeleceu a morte como o grande nivelador universal. Rico ou pobre, poderoso ou humilde se igualam na morte, mas vocês, que são preconceituosos, descontentes por estabelecer diferenças apenas entre os vivos. Procuram levar essas diferenças até além da morte. Por que não podem nos visitar os humildes trabalhadores do espaço se, apesar de não haverem sido pessoas importantes na Terra, também trazem importantes mensagens da Aruanda? Por que não receber os Caboclos e Pretos-velhos? Acaso não são eles também filhos do mesmo Deus?

— O que você quer dizer com a palavra Aruanda?

— Aruanda é o mundo espiritual. Os trabalhadores da Aruanda são todos aqueles que levantam a bandeira da liberdade.

Depois de mais algumas perguntas feitas pelo dirigente da reunião espírita, o Caboclo continuou:

— Este planeta mais uma vez será varrido pela dor, pela ambição do homem e pelo desrespeito às leis de Deus. A fúria logo irá fazer suas vítimas. As mulheres perderão ali a vergonha. Uma onda de sangue varrerá a Europa e, quando todos acharem que o pior já foi atingido, uma outra onda de sangue, muito pior do que a primeira, envolverá a humanidade. E um único engenheiro militar será capaz de destruir, em segundos, milhares de pessoas. O homem será vítima de sua própria máquina de destruição.

— Vejo que você se faz um profeta…

— Assim como previ o terremoto de Lisboa em 1755, trago hoje em minhas palavras um pouco do futuro do mundo. Mas agora já não podem matar o corpo, pois este está morto. Vivo como espírito e como Caboclo trago uma nova esperança. Amanhã, na casa onde meu médium mora, haverá uma mesa posta para toda e qualquer entidade que queira ou que precise se comunicar. E isso independentemente daquilo que haja sido em vida, será bem-vinda. Espíritos de sacerdotes, iniciados e sábios tomarão a forma de simples Pais-velhos ou Caboclos. E levaremos o consolo ao povo necessitado.

— Parece mais uma igreja que você fundará na Terra…

— Se desejar, poderá chamar de igreja; para nós é apenas uma Tenda, uma Cabana.

— E que nome darão a essa igreja?

— Tenda Nossa Senhora da Piedade, pois, da mesma forma que Maria ampara nos braços o filho querido, também serão amparados os que se socorrerem da aumbandhã.

— Por que dar o nome de Tenda a essa igreja? Por que inventar novos nomes? Isso não irá complicar mais ainda para a população? — O Presidente José de Souza queria extrair mais alguma coisa da entidade.

— As igrejas dos homens e os templos construídos pelo orgulho humano são muito imponentes. Chamaremos de Tenda o local de reunião; um lugar simples e humilde, como simples e humildes devemos trabalhar para ser.

Como era previsível, o presidente da Federação Kardecista de Niterói não concordou com aquilo que o caboclo brasileiro trazia através de Zélio de Moraes. Contudo, foi obrigado a reconhecer que algo novo surgira naquele 15 de novembro de 1908.

No dia seguinte, a família Moraes se reuniria em sua sala e, juntamente com eles, um grupo de espíritas curiosos que chegaram para ver como seria a nova religião. Aqueles que se sentiram atraídos pelas palavras do Caboclo perceberam a arrogância dos dirigentes. E foram obrigados a decidir se ficariam no antigo centro espírita ou se fariam parte da Tenda, da nova religião. Durante os trabalhos, vários médiuns incorporaram Caboclos, Crianças ou Pais-velhos. E nascia assim o comprometimento de Zélio de Moraes com a aumbandhã ou, simplesmente, Umbanda.

Fonte: Portal – Umbanda eu Curto)

PRINCÍPIOS BÁSICOS DA UMBANDA

     Muitos ignoram certas verdades sobre a Umbanda e a julgam apressadamente, sem conhecer seus ideais. O conhecimento faz com que limitemos esses julgamentos.

     Os fundamentos da Umbanda variam de acordo com a vertente que a pratique, mas existem alguns conceitos básicos que são encontrados na maioria das casas e assim podem, com certa ressalva e cuidado, ser generalizados para todas as formas de Umbanda.

São eles:

. A existência de uma fonte criadora universal, um Deus Supremo, chamado Olorum ou Zambi;

. O culto aos Orixás como manifestações divinas, onde cada Orixá se confunde com um elemento da natureza ou da própria personalidade humana, em suas necessidades, construções de vida e sobrevivência;

. O mediunismo como forma de contato entre o mundo físico e o espiritual, manifestado de diferentes formas;

. A manifestação das Entidades, ou Guias, espíritos ainda em processo de evolução, para exercerem o trabalho espiritual incorporado em seus médiuns, organizados em planos e/ou linhas de evolução;

. Tem como fundamento básico em seus rituais: o uso do branco, não cobrar pelos trabalhos, não matar e não utilizar o sacrifício de animais;

. A obediência aos ensinamentos básicos dos valores humanos, como: fraternidade, caridade e respeito ao próximo e por si mesmo. Sendo a caridade uma máxima encontrada em todas as manifestações existentes;

. A crença na imortalidade da alma;

. A crença na reencarnação e nas leis kármicas;

     Acreditamos que com esses principais fundamentos, estejamos ajudando a compreender melhor esta doutrina. Devemos, sempre, continuar buscando o máximo de conhecimento, para podermos nos esclarecer e assim ajudar a tirar essa visão deturpada que a maioria das pessoas tem em relação aos rituais sagrados da Umbanda.

Fonte: Blog Estudos da Umbanda

As Diversas Ramificações da Umbanda

Acreditamos que todas as Umbandas são corretas desde que sejam praticadas com dedicação, amor e humildade. Umbanda é uma só, ela é a religião do presente e do futuro e na medida que os não simpatizantes vão conhecendo sua beleza e sua simplicidade, seus corações serão envoltos pela magia do amor, da caridade, da humildade e da fé, dissipando assim todas as discriminações que hoje ela ainda sofre.

Existem várias ramificações da Umbanda que guardam raízes muito fortes das bases iniciais e outras que absorveram características de outras religiões já existentes, mas que mantém a mesma essência nos objetivos de prestar a caridade, com humildade, respeito e fé. As mais conhecidas são:

- Umbanda Popular - Que era praticada antes de Zélio e conhecida como Macumbas ou Candomblés de Caboclos; onde podemos encontrar um forte sincretismo associando Santos Católicos aos Orixás Africanos;

- Umbanda tradicional - Oriunda de Zélio Fernandino de Moraes;

- Umbanda Branca e/ou de Mesa - Com um cunho espírita muito expressivo. Nesse tipo de Umbanda, em grande parte, não encontramos elementos Africanos, nem o trabalho dos Exus e Pomba-giras, ou a utilização de elementos como atabaques, fumo, imagens e bebidas. Essa linha doutrinaria se prende mais ao trabalho de guias como caboclos, preto-velhos e crianças. Também podemos encontrar a utilização de livros espíritas como fonte doutrinária;

- Umbanda Omolokô - Trazida da África pelo Tatá Tancredo da Silva Pinto. Onde encontramos um misto entre o culto dos Orixás e o trabalho direcionado dos Guias;

- Umbanda Traçada ou Umbandomblé - Onde existe uma diferenciação entre Umbanda e Candomblé, mas o mesmo sacerdote ora vira para a Umbanda, ora vira para o candomblé em sessões diferenciadas. Não é feito tudo ao mesmo tempo. As sessões são feitas em dias e horários diferentes;

- Umbanda Esotérica - É diferenciada entre alguns segmentos oriundos de Oliveira Magno, Emanuel Zespo e o W. W. da Matta (Mestre Yapacany), em que intitulam a Umbanda como a “Aumbhandan: conjunto de leis divinas";

- Umbanda Iniciática - É derivada da Umbanda Esotérica e foi fundamentada pelo Mestre Rivas Neto (Mestre Yamunisiddha Arhapiagha), onde há a busca de uma convergência doutrinária, sete ritos, e o alcance do Ombhandhum, o Ponto de Convergência e Síntese. Existe uma grande influência Oriental, principalmente em termos de mantras indianos e utilização do sânscrito;

- Umbanda de Caboclo - influência da cultura indígena brasileira com seu foco principal nas entidades conhecidas como "Caboclos";

- Umbanda de Preto-velhos - influência da cultura Africana, onde podemos encontrar elementos sincréticos, o culto aos Orixás, e onde o comando e feito pelos preto-velhos;

Outras formas existem, mas não têm uma denominação apropriada, diferenciam-se das outras por diversos aspectos peculiares.

Fonte: Blog de Estudos da Umbanda