Esse espaço, não é para mostrar um conhecimento profundo por uma ciência, que necessita de muito estudo por parte daqueles que se interessam pelo assunto. Não será um curso, afinal, por mais prolongado que ele seja, nunca nos dará condições de conhecer tudo a respeito dos espíritos e de seu mundo. Como eles não são diferentes de nós, só habitam em outra dimensão, estão em constante mudança, assim como seu universo. Então concluímos, que esse estudo não pode parar, nunca.

Portanto, aqui serão colocados temas que muitos já devem ter conhecimento e outros não. A nossa preocupação é manter vivo esse saber, e o mais importante, é deixá-lo enraizado dentro de cada um de nós. Não esquecendo que, os conteúdos aqui apresentados, nada mais são do que enxertos feitos de várias fontes.

 

“Estudem para melhor praticar a caridade. Entre um instrumento mediúnico que não se instruiu e outro que está sempre ampliando os seus conhecimentos, ambos com a mesma cota de amor no coração, para servir ao próximo, qual terá mais valia para os espíritos desencarnados que nos assistem?”

(Caboclo Xangô das Sete Montanhas)

             Espiritismo, o que é?

 

Allan Kardec não fundou o Espiritismo, não foi uma descoberta, nem uma invenção, ele apenas codificou, organizou, deu lógica didática a Doutrina dos Espíritos.

 

As pessoas que têm apenas um conhecimento superficial do Espiritismo são naturalmente inclinadas a formular certas questões, cuja solução podiam, sem dúvida, encontrar em um estudo mais completo. Mas o tempo, e frequentemente a vontade, lhes faltam para se entregarem a observações continuadas.

 

Partindo do começo, vamos esclarecendo o que é o Espiritismo:

 

O Espiritismo é ao mesmo tempo uma Ciência de observação e uma Doutrina Filosófica. Como Ciência prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os espíritos; como Filosofia ele compreende todas as consequências morais que decorrem dessas relações. Podemos defini-lo assim: O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e da destinação dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal.  (Allan Kardec – O que é o Espiritismo, Preâmbulo)

A Doutrina e seus Contraditores

Doutrina → Da etimologia latina doctrina que, por sua vez, vem de doceo "ensino". O sentido mais antigo é de ensino ou aprendizado do saber em geral, ou do ensino de uma disciplina particular.

Modernamente tomou o sentido de um conjunto de teorias, noções e princípios coordenados entre eles organicamente que constituem o fundamento de uma ciência, de uma filosofia, de uma religião etc.

 

Doutrinário → pessoa que obedece rigidamente aos princípios da própria doutrina, dando mais valor à teoria do que à prática.

 

A Doutrina dos Espíritos (ou o Espiritismo) tem o seu conjunto de princípios, catalogados por Allan Kardec. O Codificador deixa bem claro que os ensinamentos – contidos em suas obras – não são seus, mas expressão fiel das comunicações dos Espíritos superiores, desejosos de auxiliar a nossa evolução espiritual. Entre os seus princípios fundamentais estão: Existência de Deus, Reencarnação, Mediunidade, Lei de Causa e Efeito, Pluralidade dos Mundos Habitáveis etc.

 

Os contraditores → são as pessoas que se opõem às ideias, aos sentimentos e às opiniões de alguém. Para os que sabem aproveitar, os adversários são pessoas úteis, porque nos apontam os defeitos que temos de corrigir.

 

No âmbito dos ensinamentos espíritas, Allan Kardec observa que a maior parte das objeções que se fazem à doutrina provêm de uma observação incompleta dos fatos e de um julgamento precipitado. O espírita sincero não deve temer a crítica e a oposição, pois isso fortalece o próprio Espiritismo. Exemplificando: a queima de livros em Barcelona não pôs em evidência o conteúdo doutrinal?

 

Allan Kardec, em O que é o Espiritismo, narra três diálogos com os seus contraditores: o Crítico, o Cético e o Padre. Deixava entrever que, se uma pessoa fosse procurá-lo para discutir, ela já teria estudado a questão sob todas as suas faces, visto tudo o que se podia ver, lido tudo o que sobre a matéria se tinha escrito e analisado e comparado as diversas opiniões. Para o crítico, por exemplo, que se diz ex professo, e que deseja publicar um livro demonstrando que o Espiritismo está em erro, Allan Kardec diz: "Se o Espiritismo é uma falsidade ele cairá por si mesmo; se, porém, é uma verdade, não há diatribe que possa fazer dele uma mentira".

 

Quem são os contraditores da atualidade?

Na atualidade, o Espiritismo tornou-se uma espécie de status social, ou seja, dizer-se Espírita dá uma certa supremacia sobre as demais religiões. As contradições, assim, são mais veladas e se mantém no nível de ideias, principalmente aquelas calcadas pelas religiões dogmáticas, que insistem em dizer que o Espiritismo é coisa do diabo, do demônio. Observe a negação sistemática do Padre Quevedo. Para ele, os fenômenos mediúnicos são fraudes. Em todos eles, ele contra-ataca com uma fundamentação da Parapsicologia.

 

Dentre todas a contradições, a pior é a contradição conosco mesmos. Será que temos plena convicção do que professamos? Seguimos o Mestre até o sacrifício na cruz? Ou por qualquer dificuldade largamos o barco e procuramos outro credo?

Fonte: Sérgio Biagi Gregório

Na postagem anterior foi falado, sobre o que Allan Kardec relata no livro O que é o Espiritismo, onde ele é questionado, por um crítico, um ateu e um padre. Agora, iremos transcrever as respostas dada por Kardec, em pequenos resumos, que dividiremos em três partes.

Parte 1

Ao crítico que desconhecia totalmente os princípios fundamentais da Doutrina.

[...] Crítico:

— Enfim, tudo deve ter começo. O aprendiz, que nada sabe, que nada viu ainda, mas que deseja se esclarecer, como poderá fazê-lo, quando não lhe permite os meios para isso?

 

Allan Kardec:

— Eu faço grande distinção entre o incrédulo por ignorância e o incrédulo por intenção; quando descubro alguém com disposições favoráveis, nada me custa esclarecê-lo; há, porém, pessoas em quem a vontade de instruir-se só é aparente; com estas perde-se o tempo; porque, se elas não encontram logo o que parecem buscar — e que talvez as incomodasse, se aparecesse —, o pouco que veem não é o suficiente para lhes destruir as prevenções; julgam mal os resultados obtidos e os transformam em objeto de zombaria, pelo que não há utilidade em lhes fornecer evidências.

A quem deseja se instruir, direi:

―Não se pode fazer um curso de Espiritismo experimental como se faz um de Física ou de Química, atento que nunca se é senhor de produzir os fenômenos espíritas à vontade, e que muitas vezes as inteligências desses agentes fazem todas as nossas previsões se frustrarem. Aqueles que acidentalmente poderiam ver, não apresentando nexo algum, nem ligação necessária, seriam pouco compreensíveis para vocês. Instruam-se primeiramente pela teoria, leiam e meditem as obras que tratam dessa ciência; nelas aprenderão os princípios, encontrarão a descrição de todos os fenômenos, compreenderão a possibilidade deles pela explicação que elas lhes darão, e, pela narrativa de grande número de fatos espontâneos de que pudestes ser testemunha sem os compreender, mas que lhes voltarão à memória, vocês se fortificarão contra todas as dificuldades que possam surgir e desse modo formarão uma primeira convicção moral. Então, quando se apresentar a vocês a ocasião de observar ou operar pessoalmente, compreenderão, qualquer que seja a ordem em que os fatos se mostrem, porque nada verão de estranho. Eis, meu caro senhor, o que aconselho a todos que dizem querer instruir-se, e, pela resposta que dão, é fácil conhecer se neles há alguma coisa mais que curiosidade.  (Allan Kardec - Que é o Espiritismo – Primeiro Diálogo)