Esse é mais um espaço onde iremos conversar um pouquinho sobre mediunidade, sempre, sem a pretensão de sabermos tudo e sim dividirmos o nosso aprendizado. Os conteúdos aqui apresentados, nada mais são do que enxertos feitos de várias fontes.

“Estudem para melhor praticar a caridade. Entre um instrumento mediúnico que não se instruiu e outro que está sempre ampliando os seus conhecimentos, ambos com a mesma cota de amor no coração, para servir ao próximo, qual terá mais valia para os espíritos desencarnados que nos assistem?”

(Caboclo Xangô das Sete Montanhas)

 

Mediunidade

“E a cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito. Porque a um é dada pelo Espírito a ciência, a outro a sabedoria, a outro a fé, a outro a graça de curar as doenças, a outro a profecia, a outro o discernimento dos espíritos, a outro a variedade de línguas, e a outro a interpretação das palavras. (Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios)

Mediunidade percepção natural pela qual se estabelecem as relações entre encarnados e desencarnados, portanto, é inerente ao homem.

É um atributo da Humanidade e, portanto, não pertence a uma doutrina ou filosofia específica. É conhecida e praticada desde os primórdios da História. Essa relação é obtida através dos médiuns.

Segundo Kardec:

Toda pessoa que sente a influência de espíritos ou tem algum tipo de sensibilidade, sentindo vibrações energéticas em qualquer grau de intensidade, é considerada um médium. Essa faculdade é inerente ao homem. Por isso mesmo não constitui privilégio e são raras as pessoas que não a possuem pelo menos em estado rudimentar. Pode-se dizer, pois, que todos são mais ou menos médiuns.

Usualmente, porém essa qualificação se aplica somente aos que possuem uma faculdade mediúnica bem caracterizada, que se traduz por efeitos patentes de certa intensidade, o que depende de uma organização mais ou menos sensitiva. Deve-se notar, ainda, que essa faculdade não se revela em todos da mesma maneira.

Ela começou a ser mais bem conhecida com o trabalho de Allan Kardec, que não só construiu a primeira classificação dos tipos de médiuns, como, lançando as bases teóricas da mediunidade, estabeleceu também valiosas diretrizes para sua prática.

Lições sucessivas, transmitidas, desde então, por outros Mestres Espirituais e a multiplicação dos núcleos de atividades espírita, em todo o mundo, aumentaram significativamente o acervo de informações, possibilitando uma visão mais ampla da atividade mediúnica.

 

Fonte: Teoria da Mediunidade – Zalmino Zimmermann e Apostila do CEEM – Grupo Espírita Casa do Caminho)

A Mediunidade através dos Tempos

Como a mediunidade é faculdade inerente à espécie humana, a comunicação entre os dois planos da vida sempre foi conhecida, não nasceu com o Espiritismo. Sempre existiu, desde as épocas mais remotas da vida humana.

Entretanto, teve de se submeter a um processo lento e gradual de evolução, cuja história acompanha a própria evolução do Espírito. Vemos, assim, que os primeiros habitantes do Planeta, chamavam deus a tudo o que apresentava qualquer característica sobrenatural, qualquer coisa que lhe escapava ao entendimento, tais como fenômenos da natureza e até habilidades percebidas em outro indivíduo que o distinguia dos demais.

 

Em consequência, rendiam-lhes cultos e, por não possuir o senso moral e intelectual desenvolvido, os povos primitivos ofereciam aos deuses sacrifícios humanos e de animais, assim como oferendas dos frutos da terra. Tais cultos eram marcados por práticas anímicas e mágicas que perduraram por milênios. Envolviam forças espirituais consideradas misteriosas e incompreensíveis. Mas em obediência à lei do progresso, e pelo exercício do livre-arbítrio, o homem começou a entesourar conquistas nas sucessivas experiências reencarnatórias.

 

Perante tais condições, aprende a utilizar a energia espiritual da qual é dotado, extraindo elementos do fluido cósmico universal a fim de elaborar e aperfeiçoar seus mecanismos de expressão e de comunicação, entre si, e com os habitantes do mundo espiritual. Com este avanço, inicia-se o processo civilizatório, propriamente dito, que tem o poder de modificar a face do Planeta.

Importa acrescentar que o processo evolutivo não foi, obviamente, executado exclusivamente pelo indivíduo. Sempre esteve secundado pelas Inteligências superiores, permitindo que o corpo espiritual (perispírito) se aperfeiçoasse também e, como resultado, produzisse um veículo físico apto a alçar voos mais altos. À medida que o Espírito evolui, aprende a refinar as ondas do pensamento, emitindo vibrações que atraem o pensamento e as ideias de Espíritos

semelhantes, encarnados e desencarnados, por meio dos recursos da sintonia. Nesse processo, as suas faculdades perceptivas são ampliadas, pois o psiquismo humano encontra-se mais bem estruturado.

 

Na obra Evolução em Dois Mundos, André Luiz afirma que a intuição foi o sistema inicial de intercâmbio, e que a produção do pensamento contínuo pelo Espírito — que caracteriza a emissão mental do ser humano — habilitou o perispírito a desprender-se parcialmente nos momentos do sono reparador do corpo físico. Por meio de árduos esforços, o ser espiritual convence-se de que a mente é a orientadora das necessidades evolutivas que, ao emitir projeções, envolve a pessoa em um campo energético, espécie de “carapaça vibratória”, usualmente denominada “aura”, uma vez que o pensamento é a força criativa que se exterioriza, envolvendo as mentes que se encontram no seu raio de ação, mas que, pelos mecanismos da reciprocidade, é influenciada por Espíritos, encarnados e desencarnados, superiores e inferiores.

Fonte: Apostila da FEB

Quando buscamos estudar ou simplesmente conhecermos algo relacionado a algum tema, temos que nos debruçar na sua história, para podermos entender o seu conteúdo de forma completa. Assim também é com relação a mediunidade.

A mediunidade existe desde que o mundo é mundo. Mas o que aconteceu para chegarmos como estamos nos dias atuais, o que sofreram seus divulgadores. É o que tentaremos mostrar com o conteúdo aqui apresentado, que será dividido, para que não se torne cansativo para aqueles que se interessarem pelo assunto.

 

Parte I

 

Como tentativa de elaborar uma síntese histórica da mediunidade sugere-se a sequência, em seguida disponibilizada, cujos conteúdos foram inspirados em três obras espíritas: Evolução em Dois Mundos, do Espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, FEB; A Caminho da Luz, do Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, FEB; e O Espírito e o Tempo — Introdução Antropológica do Espiritismo, de Herculano Pires. Editora Edicel.

 

Mediunidade primitiva: a intuição é a mediunidade inicial; o médium é idólatra; adora ou teme as forças da natureza, nomeadas como “deuses”: sol, céu, lua, estrelas, chuva, árvores, rios, fogo, ser humano que se destaca na comunidade.

 

Mediunidade tribal: desenvolve-se uma mentalidade mediúnica coletiva: crença grupal em Espíritos ou deuses. Aparecem as concepções de céu-pai (o criador ou o fecundador) e terra-mãe (a geratriz, a que foi fecundada pelo criador).

 

Fetichismo: forma mais aprimorada do mediunismo tribal, apresentando forte colorido anímico, pelo culto aos fetiches ou objetos materiais que representam a Divindade ou os Espíritos. Surge a figura do curandeiro ou feiticeiro, altamente respeitada e reverenciada, amada e temida pelos demais membros da tribo ou clã. Em algum momento, estas práticas se desdobraram em outras, conhecidas atualmente: vodu e magia negra.

 

Mediunismo mitológico: a prática mediúnica caracteriza-se pela presença dos mitos (simbolismo narrativo da criação do universo e dos seres) e pela magia (práticas mediúnicas e anímicas de forte conotação ritualística).

 

Mediunismo oracular: é o mediunismo que aparece no período da história humana considerado como início da civilização: é politeísta e religioso. Cultuados pela sociedade, os deuses (Espíritos) fazem parte de uma sociedade hierarquizada, onde há um deus maior (Zeus), que vivem em locais específicos (Olimpo). Tais deuses são imortais, poderosos, mas têm paixões típicas dos homens mortais: ódio, amor, rancor, compaixão. Cada deus governa uma parte da terra ou dos seres terrestres. Os oráculos constituem o cerne de toda a atividade humana, nada se faz sem consultá-los. A Grécia torna-se o centro da mediunidade oracular, sendo que o oráculo de Delfos é o mais famoso — o oráculo pode representar a divindade (que fala por voz direta), podia estar encarnada em um médium, ou ocupar temporariamente o seu corpo para se manifestar; mas pode utilizar um objeto do templo (estátua, por exemplo), elementos da natureza, ou manifestar-se naturalmente ao médium, então denominado pitonisa, na forma de domínio psíquico ou corporal.

 

Na Antiguidade, segundo Emmanuel, a mediunidade apresenta as seguintes características:

 Face externa ou exotérica – de natureza politeísta, teatral, supersticiosa, repleta de magia, destinada às manifestações públicas.

 Face interna ou esotérica – de essência monoteísta, envolvendo graus de árdua iniciação, e praticada no interior dos templos por médiuns (magos, pitonisas etc.), genericamente denominados “iniciados”, que são mantidos sob supervisão de sacerdotes.

Fonte: FEB